#CRITICA “Malhação”: quando a adolescência envelhece

A 22a. (isso mesmo, vigésima segunda) temporada de "Malhação" estreou ontem com uma das piores audiências em seus 19 anos: 16 pontos de média. Não chega a ser surpreendente. "Malhação" tem sofrido do mesmo mal do "Vídeo Show": um inevitável envelhecimento. A reestreia até que foi digna: edição dinâmica, elenco que promete, possibilidades de romance no ar, uma vaga ideia de antagonista, pai ciumento, menina sonhadora, garota rebelde. A trama, que um dia se passou em uma academia chamada Malhação, volta para um espaço parecido, a Academia do Gael, só que dedicada às artes marciais. Outro cenário com o mesmo peso é a Escola de Artes Ribalta, que divide parede com a academia. E o enredo gira em torno do sonho de ser artista/lutador de sucesso, o que, prega a boa escola moral, só se consegue com muito esforço. Pelos nomes envolvidos, a temporada até que promete. Quem assina a história é Rosane Svartman e Paulo Halm, dois experientes roteiristas que têm em seus currículos trabalhos como "Mais Uma Vez Amor", "Como Ser Solteiro no Rio" e "Pequeno Dicionário Amoroso". Cabe à dupla trazer alguma consistência à novela adolescente cujas últimas versões têm sido um desastre (o último episódio da 21a. temporada pode ser resumido em uma palavra: constrangedor). O elenco tem novatos, como Bruna Hamú, Jeniffer Nascimento, Rafael Vitti e o ex-"Rebelde" Arthur Aguiar (nem tão novato assim), e veteranos do quilate de Eriberto Leão, Felipe Camargo e Patrícia França. É um mix comum à série. Nem sempre funcionou. Mas sejamos sinceros: é muito improvável que "Malhação" volte a decolar.

Não é mera coincidência que "Malhação" e "Vídeo Show" sofram um processo de envelhecimento semelhante. Assim como o programa de notícias sobre os bastidores da Globo, a soap opera juvenil sofreu dezenas de experiências ao longo dos anos. A cada vez que a audiência minguava, lá vinha uma mexida. Após uma queda brutal no final dos anos 1990 e início dos 2000, a novelinha viu seu Ibope melhorar nas temporadas 2004 e 2005. Depois disso, o público começou a minguar novamente e o caminho ladeira abaixo ficou mais acentuado. "Malhação" foi criada em 1995 para substituir a "Escolinha do Professor Raimundo" naquele horário "aperitivo" antes da sequência de novelas. Surgiu nos tempos áureos de séries jovens como "Barrados no Baile" e "Melrose Place". Sua inspiração, porém, era "Confissões de Adolescente", que um ano antes virara série na TV Cultura e ganhara status de "cult" entre a garotada. Baseado no livro homônimo de Maria Mariana (que fazia parte do elenco), "Confissões" inovava ao discutir temas adolescentes com uma linguagem e olhar próprio à idade. A ideia da Globo era transpor isso dentro do seu estilo de fazer novela. Entre altos e baixos, "Malhação", além de seriado, foi também escola e batismo de fogo para muitos atores.

Por ali passaram Danton Mello, Cláudio Heinrich, Fernanda Rodrigues, Cássia Linhares, Juliana Baroni, Priscila Fantin, Thaila Ayla, Sophie Charlotte, Fiuk entre tantos outros. Não é pouco. Assistir "Malhação" nas últimas temporadas, entretanto, tem sido um exercício de paciência a que pouca gente está disposta a se submeter. Em uma época dominada por séries dinâmicas como "Glee", é difícil prender o público com tramas que se arrastam de forma quase angustiante. "Glee", aliás (por mais que os autores neguem), é a primeira série que você pensa ao ver que a trama da nova temporada está cheia de aspirantes a cantores, atores e dançarinos. A renovação é necessária. Afinal, não há outro caminho quando a água começa a bater no nariz. O problema é que isso parece estar acontecendo muito tarde. Ou talvez não seja um problema. Talvez seja hora de realmente partir para outros formatos, outros programas, outras experiências. Tem gente que não acredita, mas os espectadores da TV aberta também gostam de renovação.

Fonte: Tela Plana (Yahoo)

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