Paulo Betti fala sobre atuar em 'Malhação': "é um spa";

Após 34 anos de carreira na TV, o estereótipo parece ter pego Paulo Betti. No ar como o Caetano de Malhação, o ator já interpretou personagens parecidos com o mulherengo da trama teen. Em A Vida da Gente, Jonas, papel desempenhado pelo ator em 2011, também gozava de boa situação financeira e era facilmente atraído por mulheres mais jovens.
"A TV sempre coloca o ator dentro de uma chave de interpretação. Ou então usa a proximidade com sua vida real", divertiu-se, aos risos, garantindo não se incomodar com a alcunha conquistada. 
Pela terceira vez atuando na novela, que esta temporada conta com a assinatura de Ana Maria e Patrícia Moretzsohn, Paulo garante que gosta da proximidade com atores que estão começando a carreira.
"Tem momentos de intensa troca", afirmou. 
Depois de crescer em um pequeno quilombo na zona rural de São Paulo, Paulo se mudou para Sorocaba ainda na infância. Apesar de ter vivido bastante tempo longe dos grandes centros, o ator logo desenvolveu forte veia política e artística.
"Sempre gostei de me manifestar. E com política não é diferente", entregou, afirmando que sua visão esquerdista causou alguns desconfortos ao longo da carreira. "Sempre fui ameaçado pela minha rebeldia política", disse, mais em tom de deboche do que de lamento.
Por se envolver em diversas atividades culturais desde criança, Paulo passeia livremente entre o teatro, a TV e o cinema. Para 2014, o ator tem planos nas três esferas. Manter-se em Malhação após o término desta temporada é uma possibilidade. Mas existem planos muito mais concretos.
"Além de continuar com o espetáculo Sarau Sesc Casa da Gávea, vou começar a rodar o filme A Fera na Selva. Fiz a peça nos anos 1990 com a Eliane Giardini e, no filme, vamos dividir a atuação e a direção", contou, animado.
TVPress – Esta é a terceira vez que você participa de Malhação. Sente-se sente atraído pelo produto ou está apenas respeitando seu contrato com a Globo?
Paulo Betti – Essa novela é conhecida por ser um celeiro de atores. Acho interessante participar desse início. O processo de conviver com crianças e adolescentes pode ser insuportável ou maravilhoso. Eu costumo achar bom, embora tenha dias que não quero nem papo com eles (risos). Gosto de participar porque me sinto um pouco responsável por eles. Procuro levar coisas que a garotada se interesse e, assim, poder influenciar eles. Já levei muito livro para o set. E, além disso, Malhação é um "spa" (risos).
TVPress – Como assim?
Betti – O ritmo de gravação para os veteranos é ótimo. Gravo em uma frequência bem razoável. Além disso, é muito menos pressão, dá para fazer as cenas mais à vontade, mais solto. Além disso, participar de Malhação faz meu público rejuvenescer. Uma galera mais jovem, que não me conhecia, passa a me conhecer.
TVPress –  E, por contracenar com tanta gente mais jovem, você gosta do resultado final do produto?
Betti – Cada vez mais eu olho e acho que poderia melhorar, fazer menos. Às vezes, acho que estou sobrando em cena, que estou sobreatuando, atuando demais. Acho que é porque estou ficando acostumado a esses papéis. A TV sempre te coloca dentro de uma chave de interpretação. Até pela proximidade com sua vida real. Sempre sou escalado para viver o cara que namora uma moça mais jovem. E, por estar com uma mulher nova, ele tem de ser punido. É sempre corno ou corrupto. Ou então os dois. É um estereótipo engraçado que se criou, mas não ligo para essas coincidências.
TVPress – Antes de Malhação, você atuou em Lado a Lado, que acabou de ser premiada internacionalmente como melhor novela. Como foi participar desse projeto?
Betti – Enquanto eu estava fazendo aquela novela, sentia que fazia sentido. Contar aquela história, sobre a situação do negro após a abolição da escravatura, era uma coisa muito importante. Estar envolvido naquele projeto fazia parte dos meus interesses pessoais. Inclusive, fiz um filme com o próprio Lázaro Ramos, chamado Cafundó, que tratava de temas semelhantes. Na época de Lado a Lado, falava-se muito da audiência, que não acompanhava a qualidade da novela. Acontece de não ser o tema que as pessoas querem ouvir e ver naquele momento. A novela pode passar de novo no Vale a Pena Ver de Novo e ser um sucesso estrondoso. E não concordo muito com essa coisa de audiência, 20 e poucos pontos perto de tantos atrativos fora da TV que existem hoje é coisa à beça!
TVPress – Este ano, você completa 34 anos de carreira na TV. Como avalia sua trajetória?
Betti – Acho que instabilidade profissional é a marca da minha carreira. Lembro-me das agruras profissionais, do drama que eu e muitos colegas passamos com o fim da TV Tupi, em 1980. Depois, tive uma rápida passagem pela Band. Em 1984, veio a Globo e as coisas mudaram um pouco. Não que as coisas tenham ficado estáveis. Sempre estive na corda bamba, acho que pela minha rebeldia. Sempre fui ameaçado por minha rebeldia política. 

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